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Adoro essa poesia...

Marabá por  Gonçalves Dias Eu vivo sozinha; ninguém me procura! Acaso feitura Não sou de Tupá? Se algum dentre os homens de mim não se esconde, — Tu és, me responde, — Tu és Marabá! — Meus olhos são garços, são cor das safiras, — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; — Imitam as nuvens de um céu anilado, — As cores imitam das vagas do mar! Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: "Teus olhos são garços, Responde anojado; "mas és Marabá: "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, "Uns olhos fulgentes, "Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!" — É alvo meu rosto da alvura dos lírios, — Da cor das areias batidas do mar; — As aves mais brancas, as conchas mais puras — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. — Se ainda me escuta meus agros delírios: "És alva de lírios", Sorrindo responde; "mas és Marabá: "Quero antes um rosto de jambo corado, "Um rosto crestado "Do sol do de...

Tom Jobim

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  Pra Dizer Adeus Adeus Vou pra não voltar E onde quer que eu vá  Sei que vou sozinho  Tão sozinho amor  Nem é bom pensar  Que eu não volto mais  Desse meu caminho Ah, pena eu não saber  Como te contar Que o amor foi tanto E no entanto eu queria dizer  Vem  Eu só sei dizer  Vem  Nem que seja só  Pra dizer adeus
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Centenário de Vinícius de Moraes

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Soneto da intimidade Nas tardes de fazenda há muito azul demais. Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora Mastigando um capim, o peito nu de fora No pijama irreal de há três anos atrás. Desço o rio no vau dos pequenos canais Para ir beber na fonte a água fria e sonora E se encontro no mato o rubro de uma amora Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais. Fico ali respirando o cheiro bom do estrume Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme E quando por acaso uma mijada ferve Seguida de um olhar não sem malícia e verve Nós todos, animais, sem comoção nenhuma Mijamos em comum numa festa de espuma.

Pra quem entende...

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Casamento Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes. Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão. O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo. Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir. Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.

Maurice Sendak

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Os monstros de Maurice Sendak se parecem com os horrores da Segunda Guerra Mundial ou com a história do garoto Lindbergh, de Nova Jersey, sequestrado do berço e encontrado morto em 1932, fatos que marcaram a infância do escritor no Brooklyn, em Nova York. “Hoje em dia é o 11 de Setembro e praticamente qualquer história do jornal diário”, diz o autor e ilustrador sobre a inspiração para “Onde Vivem os Monstros, que ganha tradução no Brasil, pela Cosac Naify, 46 anos depois da primeira edição. “A não ficção sempre vai ser importante, mas não supera uma boa história fictícia. As pessoas querem e precisam de fantasia”, diz Sendak, em entrevista à Folha. Se, por um lado, o filho de imigrantes judeu poloneses une passado e presente para mostrar que o tema dos monstros não é privilégio seu, mas vem das ansiedades do inconsciente coletivo, por outro lado, se pergunta com inocência: “Mas não são todas mas crianças que têm medo deles?” O faz de conta de Sendak resiste, em todo o caso, ao...

Reflexões...

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Fico me questionando sobre o poder de uma obra artística, seja ela um quadro, uma poesia, uma dança, uma música... Todas possuem o imenso poder de tocar a alma humana em suas entranhas... Nela estão, concomitantemente, a morte e a vida, o amor e o ódio, a felicidade e a mais profunda dor... Uma imensidão de sentimentos, misturados, compartilhados, vividos ou sonhados... Toda a beleza e o pior horror de uma alma... Descrevem-nos sem nunca ter nos visto. Mexem e remexem com nossas piores dores, desnudam nosso mais temíveis segredos... É a arte da vida ou a vida na arte? Não sei. Mas muita gente não se aproxima, não aproveita; Por que? Talvez por medo de ser devorado... By - Ana Paula Miqueletti Sanches